Independentistas do Quebeque adiam referendo até Trump deixar presidência dos EUA

    O líder separatista justificou a decisão com a incerteza provocada pela política norte-americana, sendo uma questão "crucial" para o futuro do Quebeque.

    O líder do separatista Partido Quebequiano (PQ) anunciou que, se ganhar as eleições provinciais de 05 de outubro, não convocará um referendo sobre separação do Quebeque do Canadá enquanto Donald Trump estiver na presidência norte-americana.

    A decisão descarta a possibilidade de realização de um referendo antes de 20 de janeiro de 2029, quando está previsto o fim do segundo mandato de Trump, embora o PQ mantenha a intenção de realizar o referendo, caso chegue ao poder.

    "Um Governo do PQ não realizará um referendo enquanto Donald Trump for Presidente dos Estados Unidos", afirmou Paul St-Pierre Plamondon, numa mensagem divulgada nas redes sociais na terça-feira.

    O líder separatista justificou a decisão com a incerteza provocada pela política norte-americana e disse que uma questão "tão crucial" como o futuro político do Quebeque precisa de condições que permitam "um debate informado e sereno".

    "Esta imprevisibilidade da Administração norte-americana prejudicará o nosso processo, assim como a qualidade do debate sobre o nosso futuro como nação", acrescentou.

    Por outro lado, o PQ elaborou um Livro Azul no qual especifica como funcionaria um Quebeque independente, com propostas sobre questões como a moeda, as fronteiras ou as Forças Armadas.

    O PQ lidera há meses as sondagens para as eleições provinciais, embora o apoio à independência do território se mantenha minoritário. Um inquérito recente situou o apoio à soberania nos 31%, contra os 69% que votariam contra.

    Investigadores canadianos indicaram esta semana que grupos associados à Rússia, assim como ao movimento MAGA (Make America Great Again), do Presidente Trump, estão a ampliar o movimento separatista da província canadiana de Alberta e a desinformar o público canadiano sobre a situação.

    O responsável pelos estudos, Brian McQuinn, codiretor do Centro para Inteligência Artificial, Dados e Conflito da Universidade de Regina, no Canadá, confirmou hoje à agência de notícias espanhola EFE as atividades de 'influencer' MAGA nas campanhas de desinformação e monetização do separatismo de Alberta.