Seguro pede "novo impulso" para fazer de Portugal "uma nação que lê"

    O Presidente da República pede que não se ignorem os recentes resultados dos PISA e sublinha que as competências de pensamento e literacia estão a diminuir também porque a leitura já não é vista como "fonte de prazer" ou "atividade cultural dominante".

    O Presidente da República pediu esta quarta-feira um novo impulso nas políticas de educação para a leitura, defendendo que o país não se pode conformar perante os problemas apontados pelos resultados mais recentes do PISA.

    "Quarenta anos depois da criação da Rede de Leitura Pública, é necessário um novo impulso nas políticas de educação para a leitura e para o enriquecimento cultural. Isso fará de nós uma nação que lê. É um trabalho que diz respeito à escola, em primeiro lugar, mas também à família e a cada um de nós, portugueses", declarou António José Seguro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

    O chefe de Estado, que discursava na quarta edição do encontro Book 2.0, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), apelou, por outro lado, à valorização da língua portuguesa no espaço mediático e da política e também em encontros como este - que tem nome em inglês - e insistiu na importância das "palavras do meio".

    Na sua intervenção, António José Seguro referiu-se aos "estudos PISA recentemente conhecidos" que apontam para uma "diminuição da taxa de literacia bem como, em muitos países desenvolvidos, o abandono da leitura como fonte de prazer ou como atividade cultural dominante", de que decorrem "o declínio das competências cognitivas e o declínio da literacia em ciência ou em matemática".

    "Este tempo pode ser, como dizem algumas vozes, o tempo de um certo conformismo diante desses números pouco agradáveis", comentou.

    "Portugal enfrenta agora a revelação desse declínio, que está sustentado em números, em estudos e em previsões. Nesta matéria não podemos conformar-nos, nem desistir dos combates pela leitura e, mais do que isso, pela qualidade da leitura, o que são coisas diferentes", defendeu, em seguida.

    O chefe de Estado considerou que a leitura "é um antídoto contra a exclusão e a ignorância, o mais perigoso dos vírus em democracia" e que "uma nação que lê é mais poderosa e está mais bem preparada para os desafios do seu tempo".

    "Acredito que uma nação que lê promove a inteligência humana e não fica passivamente à espera dos benefícios e facilidades da inteligência artificial. Acredito que uma nação a ler, e a ler bons livros, é mais resistente às ventanias do populismo, da desigualdade, da ignorância, da injustiça e do esquecimento. Esse é um desafio para os próximos anos", acrescentou.