UE convoca reunião de emergência para debater situação em Ceuta

    Presidência irlandesa da União Europeia confirma encontro depois de uma carta enviada por 22 líderes europeus.

    O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, anunciou, este sábado, que a presidência irlandesa da União Europeia (UE) convocará uma reunião de emergência, na terça-feira, "para debater os desenvolvimentos em Ceuta", na sequência de uma carta enviada por 22 líderes europeus.

    "Na qualidade de país que detém a presidência, a Irlanda convocará, na terça-feira, uma reunião do Conselho da Justiça e Assuntos Internos da UE, presidida por Jim O'Callaghan [ministro da Justiça, dos Assuntos Internos e da Migração da Irlanda], para debater os desenvolvimentos em Ceuta", escreveu o chefe do Governo, na rede social X (Twitter).

    O responsável asseverou que o país mantém também "contacto próximo com todos os Estados-membros e com as instituições", continuando, por isso, "a acompanhar a situação".

    Jim O'Callaghan, por seu turno, assinalou que "a Irlanda continua a manifestar o seu forte apoio e solidariedade para com o governo espanhol", sendo que o encontro de terça-feira "terá lugar na sequência de uma reunião do Mecanismo Integrado de Resposta a Crises Políticas, que o [seu] Ministério organizou hoje de manhã, e de uma reunião dos embaixadores da UE prevista para segunda-feira".

    De notar que 22 líderes da UE solicitaram uma "videoconferência de emergência" dos ministros da Administração Interna europeus, para avaliar e responder à situação criada pela entrada ilegal de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta.

    "Não podemos permitir que as travessias massivas e incontroladas, a instrumentalização das migrações ou outras ameaças híbridas deem a sensação de que é possível entrar ilegalmente na UE. E que uma entrada ilegal possa depois transformar-se numa estadia legal", apontaram, numa carta endereçada à presidência irlandesa da UE, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

    A carta foi iniciada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, cujo país suspendeu temporariamente as regras do espaço Schengen em relação a Espanha, e a homóloga dinamarquesa Mette Frederiksen, que considerou, na sexta-feira, que a UE deveria equacionar suspender a cooperação Schengen com Espanha.

    Entre os outros signatários estão o chanceler alemão Friedrich Merz e os primeiros-ministros da Hungria, Suécia e Polónia, mas não assinam os líderes francês e português, cujos países são vizinhos imediatos de Espanha.

    Esta reunião deve permitir realizar uma avaliação conjunta da situação e concordar com uma resposta europeia coordenada, incluindo a mobilização rápida dos instrumentos disponíveis da União Europeia, bem como o apoio necessário a Espanha para restabelecer um controlo efetivo da fronteira externa da União e impedir novas travessias incontroladas, afirma a carta.

    "Os ministros devem, em particular, examinar a possibilidade de reforçar o apoio da Frontex [a agência europeia encarregada da vigilância das fronteiras] bem como a eficácia da cooperação da União Europeia com Marrocos", precisa.

    Em menos de 24 horas, a grande maioria das 50 mil pessoas (dados oficiais marroquinos, que as autoridades espanholas sobem para mais de 60 mil) que atravessaram a fronteira em Ceuta já regressou a Marrocos.

    Pelo menos 67 pessoas morreram na tentativa de alcançarem a costa de Ceuta a nado na quinta-feira, mas as autoridades locais admitiram que o número possa ainda aumentar.