Whatsapp: nova burla preocupa autoridades. Saiba o que fazer
É mais difícil de detetar do que no conhecido "Olá pai, olá mãe". É também mais perigosa, uma vez que não precisa clicar em nada, nem introduzir nenhum código.
Há uma nova burla a circular no WhatsApp que está a preocupar as autoridades. Segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP), o novo esquema consegue dar "controlo total" da aplicação de mensagens aos hackers sem ser preciso realizar nenhuma ação, sendo, mais difícil de detetar do que no caso do conhecido "Olá pai, olá mãe".
A novidade nesta burla é que "não precisa de nada seu, nem um clique, nem um código", revela a PSP na sua página de Instagram.
Os 'hackers aproveitam "uma falha de software para copiar a conta para outro dispositivo" e, a partir daí, há duas versões da mesma conta de WhatsApp: a sua e a deles.
Os hackers fazem-se assim passar pela pelo dono do telefone e os contactos recebem mensagens como: "Pai, estás com o telemóvel à mão? Preciso fazer uma transferência. Consegues ajudar? É urgente". E isto sem que se aperceba que estão a usar a sua conta, uma vez que as mensagens não aparecem no seu telemóvel.
"Aparecem apenas no dispositivo dos hackers e de quem as recebe. Abre a app e tudo parece normal. Enquanto isso, a sua conta pede dinheiro à sua família", referem as autoridades.
Como se conseguem duas versões da mesma conta de WhatsApp
Os piratas informáticos aproveitam uma falha nos telemóveis iPhone desatualizados. "Uma vulnerabilidade do iOS (versões anteriores à 16.7.12), explorada em conjunto com uma segunda falha do WhatsApp, permite a invasão das contas", explica a PSP.
O que fazer para se proteger
Manter o iPhone e WhatsApp atualizados;
Ligar a confirmação em duas etapas do WhatsApp;
Na dúvida, consultar os dispositivos associados à sua conta e terminar sessão em todos.
Caso desconfie que o WhatsApp pode estar comprometido
Atualizar o iOS e o WhatsApp para as versões mais recentes assim que possível;
Ir a WhatsApp > Definições > Dispositivos ligados e confirmar se só aparece o seu telemóvel;
Terminar qualquer sessão que não reconheça, de imediato;
Criar uma palavra secreta entre as pessoas que lhe são mais próximas.
Contactar as autoridades
Assim que perceber que foi vítima de burla deve também contactar as autoridades para denunciar o caso.
De acordo com o Banco de Portugal, uma fraude relacionada com uma transferência pode ser comunicada à PSP, à Guarda Nacional Republicana (GNR), à Polícia Judiciária (PJ) ou ao Ministério Público (MP).
Para evitar este tipo de burlas, pode também inscrever-se no site "Guardião", que "identifica padrões de burla em tempo real e bloqueia chamadas e mensagens fraudulentas, de forma proativa e invisível".
O projeto conta com o apoio e protocolos de colaboração com entidades como a PSP para reforçar o combate a este tipo de crimes e foi criado pela engenheira informática Rita Barbosa, após a sua avó ter sido vítima de um golpe financeiro por telefone.
